Equilíbrio Família/ Trabalho

Publicado a 11.03.2017

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É recorrente ouvirmos as pessoas usarem a expressão, “não tenho tempo” ou “se o meu dia tivesse mais algumas horas”. Como se pode perceber ao longo dos anos a sociedade tem sido alvo de constantes mudanças, sendo que os papéis profissionais e familiares assumem hoje uma grande importância na vida tanto dos homens como das mulheres. No entanto, encontrar um equilíbrio entre as exigências destes múltiplos papéis, tem-se revelado um desafio constante. Assim podemos assumir a possibilidade das esferas familiar e profissional se afetarem mutuamente.

Conforme o novo paradigma da sociedade tem-se verificado a existência de um conflito inter-papéis, uma vez que os recursos (e.g., energia, tempo) são limitados perante tantas exigências diárias. No entanto, os benefícios são evidentes, quando as pessoas fazem um maior investimento no tempo que passam com a sua família, apresentam uma clara melhor qualidade de vida face às pessoas que investem a maior parte do seu tempo no trabalho.

Perante as constantes mudanças tanto na estrutura familiar como na força do trabalho, as famílias sentem a necessidade de procurar um equilíbrio entre as suas variadas responsabilidades no trabalho e na família. Neste seguimento, as organizações têm sentido a necessidade de repensar as suas políticas e as suas práticas de modo a dar uma resposta eficaz às necessidades decorrentes. As políticas e práticas desenvolvidas pelas organizações e que promovem o equilíbrio trabalho-família podem ser classificadas em dois tipos, são elas: Acordos de trabalho flexível e Suporte no cuidado de dependentes. A primeira prática organizacional permite ao colaborador um horário de trabalho mais flexível, ou seja, trabalhar a partir de casa ou em part-time. A segunda prática envolve a existência de equipamentos de infância no local de trabalho e respetivos serviços de informação: apoios à infância (e.g. subsídios), licenças de maternidade e paternidades remuneradas, bem como cuidado a idosos. É fundamental, as empresas perceberem que com estas boas práticas vão contribuir para a felicidade dos seus colaboradores e por consequência para o bem-estar emocional de todos.

Assim sendo, espera-se que num futuro próximos as famílias tenham um olhar mais atento perante as suas necessidades e que consigam fazer uma maior gestão das múltiplas tarefas a que são sujeitas diariamente. 

 

Bibliografia: 

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