Bullying, Características e Consequências

Publicado a 21.03.2013

Nos anos 60 o tema do mobbing  já era objecto de discussão. Mas é na década de 90 que nos deparamos cada vez mais com notícias sobre o bullying escolar. O bullying não afecta somente as crianças e adolescentes que frequentam as escolas, mas também afecta as pessoas que sofreram estes episódios a longo-termo, enquanto adultas.

Para que o bullying não ficasse restringido a violência entre crianças e jovens, Olweus (1993) definiu bullying como uma relação onde permanece um desequilíbrio de poder, no qual um indivíduo ou grupo vitimiza intencionalmente outro indivíduo ou grupo repetitivamente, através de acções negativas.

Estas acções negativas numa situação de bullying podem apresentar-se por uma forma directa ou indirecta. Quando se expressa estas acções de forma directa refere-se a um ataque presencial, cara-a-cara, consistindo em bullying físico, verbal e sexual. Quando há a expressão de acções negativas pela forma indirecta refere-se à manipulação implícita e destruição das relações sociais e da reputação pessoal (Merrel et al., 2008), dividindo-se em bullying social e bullying virtual.

Nesta relação entre bully e vítima, verifica-se que há três tipos de bullies: os bullies que são seguros e confiantes, fisicamente fortes, e normalmente são populares; os bullies que são ansiosos, com menos auto-estima, são menos populares; e, bullies/vítimas que são bullies em algumas situações e são vítimas noutras, que por vezes provocam agressão e instigam para actos agressivos (Olweus, 1993). Por outro lado, também são observáveis dois tipos de vítimas: as vítimas passivas, normalmente caracterizadas por baixa auto-estima e insegurança, fisicamente mais fracas e impopulares; e as vítimas provocativas, que têm um estilo social de interacção hostil e agem agressivamente como reacção às ameaças que percepcionam (Olweus, 1993; Pellegrini, 1998). As vítimas caracterizam-se também por terem dificuldade em cultivar amizades, e por serem quietas e sozinhas (Olweus, 1993).

Desta forma, o bullying é visto como um problema que afecta as crianças e adolescentes física e psicologicamente, tendo efeitos ao longo do tempo. Vários autores, (Carvalhosa et al., 2001; Veenstra et al.,2005; e Craig e Pepler, 2007), advogam que as crianças que desempenham um papel de bully, normalmente, envolvem-se mais tarde em actos delinquentes, abuso de álcool e drogas, tendo cada vez mais um comportamento anti-normativo. Mais recentemente num estudo longitudinal, evidenciou-se que tanto os bullies como os bullies/vítimas tem maior risco para vários tipos de ansiedade e distúrbios de personalidade, principalmente para distúrbios de personalidade anti-social enquanto adultos (Copeland et al., 2013).

 À semelhança dos bullies, as vítimas também sofrem efeitos negativos como consequência dos episódios de bullying. Vários autores (Craig & Pepler, 2007; Veenstra et al., 2005; Copeland et al., 2013) referem que as vítimas elevam o risco de ter depressões e ansiedade, principalmente ataques de pânico e agorafobia, e também de baixa auto-estima e relações sociais muito fracas enquanto adultos. 

Bibliografia: 

ver : For the Bullyed and the beatiful...a TED Talk

Carvalhosa, S., Lima, L., & Matos, M., G. (2001). Bullying – A provocação / vitimização entre pares no contexto escolar português. Análise psicológica, 4 (XIX), 523 – 537

Craig, W., & Pepler, D., J., (2007). Understanding Bullying: From Research to Pratice. Canadian Psychology, 48 (2), 86-93.

Merrell, K., W., Gueldner, B., A., Ross, S., W., & Isava, D., M. (2008). How Effective are school bullying intervention program? A meta – analysis of intervention research. School Psychology Quarterly, 23 (1), 26 – 42.

Olweus, D. (1993). Bullying at School: What we know and what we can do. Cambridge: Blackwell

Pellegrini, A., D. (1998). Bullies and Victims in School: A Review and a Call for Research. Journal of Applied Developmental Psychology, 19 (2), 165 – 176.

Veenstra, R., Lindenberg, S., Oldehinkel, A., J., Winter, A., F. Verhulst, F., C., & Ornel, J. (2005). Bullying and victimization in elementary school: a comparision of bullies, Victims, Bully/Victims, and Uninvolved Preadolescents. Developmental Psychology, 41 (4), 672 – 682.

Copeland, W., E., Wolke, D., Angold, A., Costello, J. (2013). Adult Psychiatric outcomes of bullying and being bullied by peers in childhood and adolescence. JAMA Psychiatry.