Quando levar o meu filho ao psicólogo?

Publicado a 20.11.2015

Possivelmente ficará admirado com a resposta. Quando os pais me contactam no sentido de lhes responder a esta dúvida, costumo dar-lhes a resposta que para mim é a mais genuína possível: “Quando sentir que é altura.”

Porquê esta resposta aparentemente simples a uma questão tão complexa? Poderá parecer até absurda: “Então mas se pergunto, é porque eu não sei!”… Permita-me então explicar:

- Na consulta de rotina, o pediatra pode comentar: “Bem, com esta idade o seu filho já não deveria fazer xixi na cama… Será melhor ir falar com um psicólogo.”

- Na escola, a professora pode afirmar: “Sabe, é que o seu filho não aprende, é melhor ir a um psicólogo ver o que se passa.”

Em diversas situações, a possibilidade de uma ida ao psicólogo pode surgir, mas a verdade é que nenhum processo terapêutico de uma criança ou adolescente poderá ter verdadeiro sucesso sem o completo investimento dos pais, e um dos critérios fundamentais para qualquer mudança, é a necessidade sentida para mudar. Se está preocupado com o seu filho, se outros o alertam para determinados aspetos, e se sente é neste momento capaz de se envolver e comprometer num processo terapêutico, do seu filho e com ele, então agora é o momento para consultarem um profissional de saúde qualificado.

Posto isto, há sinais de alarme devidamente protocolados, que podem ajudá-lo a perceber quando um comportamento é digno de preocupação. Esteja particularmente atento, se esse sintoma for muito intenso e frequente, se se mantiver no tempo e causar sofrimento. Por exemplo, se o seu filho não consegue dormir sozinho em quarto próprio, não se alimenta corretamente, não controla os esfíncteres após a idade esperada, tem muita dificuldade em atingir os marcos do desenvolvimento padronizados, não tem prazer em brincar, brinca sempre sozinho, não convive agradavelmente com crianças da mesma idade, não cumpre regras importantes, não tem interesses fora (ou dentro) da escola, não faz as aquisições esperadas pela professora, não vai sendo mais “exigente” com o crescimento, não assume gradualmente novas responsabilidades, passou por um acontecimento potencialmente traumático e expressa sofrimento, não se mostra feliz, ou faz um apelo expresso para ir ao psicólogo – então isto poderão ser alguns cenários que merecem pelo menos uma avaliação compreensiva, para depois poder ser planeado um projeto terapêutico, mais ou menos complexo, consoante a necessidade de intervenção para cada caso individual.

Bibliografia: 

Coordenação Nacional para a Saúde Mental (2009). Recomendações para a Prática Clínica da Saúde Mental Infantil e Juvenil nos Cuidados de Saúde Primários. Coordenação Nacional para a Saúde Mental: Lisboa