Idadismo -I

Publicado a 04.04.2013

Um dos fenómenos desafiantes que tem vindo a emergir com o envelhecimento demográfico nas sociedades contemporâneas é o ageism ou idadismo - um processo de estereotipagem e discriminação sistemáticos contra as pessoas, devido à sua idade (Butler, 1995). É considerado o terceiro grande “ismo” da sociedade, depois do racismo e do sexismo. Contudo, o ageism distingue-se pelo facto de qualquer ser humano lhe estar vulnerável, bastando que viva o número suficiente de anos para chegar à última fase do ciclo de vida (Palmore, 2001).

Na Segunda Assembleia Mundial sobre o Envelhecimento em 2002, a Comissão para o Desenvolvimento Social da ONU definiu o ageism como meio pelo qual os direitos das pessoas idosas são negados ou violados. Estereótipos negativos e o denegrir das pessoas mais velhas podem ser traduzidos numa ausência de preocupação social para com os idosos, em risco de marginalização e na negação de igualdade de oportunidades, recursos e direitos (cit in, Viegas & Gomes, 2007, p. 29).

Segundo Nelson (1992), os preconceitos relacionados com a idade são os mais aceites e institucionalizados do mundo (cit in Kite, Stockdale Whitley & Johnson, 2005, p. 259), já que se encontram enraizados na cultura. Revelam-se implicitamente nos pensamentos, sentimentos, crenças e comportamentos para com as pessoas idosas, ocorrendo sem que se tenha consciência ou controlo, e assumindo-se como sendo a melhor forma de interagir com esta faixa etária. A própria pessoa idosa, depois de uma vida inteira de exposição a este fenómeno, interiorizou uma série de auto-estereótipos, na sua maioria negativos, acerca do seu próprio processo de envelhecimento (Bytheway, 2005).

É frequente considerar os idosos como sendo “todos iguais”, rígidos e conservadores, religiosos, não atraentes, senis/com défices cognitivos, dependentes dos outros, improdutivos e gastadores, doentes, de trato difícil, pobres e assexuados, em crise de identidade, com baixa auto-estima e dificuldades de adaptação a novos papéis e lugares, não tendo um coping adequado para com os declínios físicos e intelectuais associados ao envelhecimento, com pouca motivação para o futuro, com atitudes infantis, com tendência à somatização, à hipocondria, ao isolamento, à depressão ou ao suicídio (Oliveira, 2008; McGowan, 1996; Cook, et al., 2005).

Associados à velhice surgem também alguns estereótipos positivos como: amabilidade, sabedoria, confiança, abundância, poder político, liberdade, eterna juventude e felicidade. (Nussbaum, et al., 2005).