O Psicoterapeuta Construtivista

Publicado a 15.05.2016

Na psicoterapia, seja qual for o seu o seu cariz ou a sua base teórico-prática, o psicoterapeuta desempenha sempre um papel fundamental no decurso do processo terapêutico. A cada novo caso, novos desafios lhe são lançados, novas expectativas recaem sobre ele, tendo sempre como pano de fundo desenvolver com o paciente um trabalho que vá de encontro às suas necessidades e que o ajude a enfrentar de uma outra forma as adversidades que vão surgindo na sua vida.De acordo com a sua base teórica e o desenvolvimento da sua prática clínica, cada psicoterapeuta vai desenvolvendo ao longo do tempo um estilo próprio de fazer e estar na terapia, mas existem sempre os pontos em comum que identificam as suas raízes conceptuais.

Na psicoterapia construtivista, em traços gerais, o psicoterapeuta vai procurar buscar os significados pessoais e sociais subjacentes à forma como o paciente se vê e se posiciona no mundo (constructos pessoais), procurando perceber até que ponto estes contribuem de uma forma salutar ou dificultam a sua vida (Neimeyer, 2009). Desta forma, atribui ao paciente, não uma posição estática de recetor de informação, mas de agente dinâmico, proactivo e construtor dos seus significados e, portanto da sua própria vida (Fernandes, Senra &Feixas, (2009).

Mas para conseguir facilitar a abertura do paciente para que este consiga aceder ao mais profundo e difícil de si, que lhe permitirá avançar para uma transformação (uma nova forma de estar/ser/sentir), o psicoterapeuta construtivista necessita de estabelecer uma relação terapêutica de grande proximidade com o paciente, de tal modo que lhe permita aceder ao mais profundo de si, explorando novas formas de ver e de estar no mundo, permitindo assim a tão almejada mudança que procura para a sua vida (Mahoney, 2003).

A relação terapêutica é pautada pela proximidade e pela colaboração (terapeuta e paciente são como que companheiros de jornada que vão lado a lado neste caminho de descoberta que levará o paciente de um ponto desconfortável para o local onde almeja estar),num diálogo e numa coordenação constante, em que o terapeuta está presente momento-a-momento em tudo o que é dito e manifestado, organizando a “par e passo” a experiência emocional do paciente. O psicoterapeuta construtivista não vê a realidade como algo imutável ou como havendo apenas uma verdade única, pelo contrário: ele demonstra capacidade de tolerância perante as ambiguidades e os dilemas que as diversas situações de vida colocam aos seus pacientes. Tem para com estes uma postura de não julgamento à primeira vista e de respeito, compassiva e cuidadora Caringistheheartofallhelping (cit inMahoney, 2003, p.17), paciente e de conforto, empática, de encorajamento e fortalecimento, dando esperança e positividade,validando o que sente e ajudando-o a integrar as novas possibilidades que se vão apresentando, transmitindo assim a segurança necessária para avançar para a transformação/mudança. Nesta caminhada o terapeuta ajuda a refletir, aconselha e desafia em certos momentos de ação, sempre respeitando o ritmo do paciente e transmitindo-lhe que é ele quem vive a sua vida e que, portanto, têm a responsabilidade pelas suas escolhas e pelas mudanças de direção no processo terapêutico, como na vida (Mahoney, 1995; Mahoney 2003).

Como dois viajantes, o terapeuta estará sempre presente e viverá também na relação terapêutica as consequências dos passos dados pelo paciente, ajudando-o neste processo de mudança (Mahoney, 1995).

 

 

Bibliografia: 

Chiari, G., &Nuzzo, M.L. (2010). Constructivist psychotherapy: A narrative Hermeneutic approach. London: Routledge.

Neimeyer, R.A. (2009). Constructivist Psychotherapy. London: Routledge.

Fernandes, E.M., Senra, J., &Feixas, G. (2009). Psicoterapia construtivista: Um modelo centrado em dilemas. Braga: Psiquilíbrios Edições.

Mahoney, M.J. (2003). Constructive psychotherapy: A practicalguide. New York: The Guildford Press.

Mahoney, M. J. (1995). ThePsychological demands of being a constructive psychotherapist. In R. Neimeyer& M. Mahoney (Eds.).Constructivism in Psychotherapy. (pp. 385–399). Washington D.C.: APA.