Estabelecer Limites

Publicado a 28.03.2013

Muitos pais procuram aconselhamento para encontrarem soluções para lidarem com comportamentos inadequados por parte dos filhos. Quando esse “pedido de socorro” surge, a situação, na maior parte dos casos, tornou-se insustentável e de muito difícil manejo. Quer dizer que os pais deixaram de assumir uma posição de autoridade e controle e passaram a uma atitude de impotência e de submissão face aos caprichos e “birras” dos seus pequenos.

As crianças aprendem desde muito cedo a “arte da manipulação”. As birras são muitas vezes chamadas de atenção e todas as crianças num momento ou outro recorrem a este tipo de reacção. Na construção do vínculo com os seus pais, eles vão ganhando cada dia que passa, um poder maior sobre eles e estão permanentemente na tentativa de ultrapassarem limites e obterem o que querem. Se se habituarem a conseguirem sempre tudo o que desejam, não irão tolerar a frustração e não aceitarão o “não”.  Cenas tristes dominam cada vez mais o cenário familiar, como crianças a gritar, atirarem-se para o chão, baterem nos pais, como forma de manipulação emocional, exigindo desta forma o que lhes está a ser recusado . A grande tarefa dos pais é  encontrar estratégias construtivas  e sobretudo eficazes para que este tipo de comportamento não se torne num hábito e atitude permanente e, assim, parte integrante da personalidade.

Segundo Zaguri (2003), a ausência de limites desencadeia toda uma série de dificuldades que não beneficiam a criança: descontrole emocional, ataques de fúria, dificuldade em aceitar as normas e regras sociais, distúrbios de conduta, desrespeito pelos pais, colegas e autoridades, problemas a nível da concentração e atenção, dificuldade para concluir tarefas, baixo rendimento escolar, comportamento agressivo que inclui agressões físicas a outrém,  e até mesmo problemas de ordem psiquiátrica quando já existe uma pré-disposição para tal.

Ora, a frustração é fundamental durante o desenvolvimento, pois permite às crianças a percepção e a consciência de que não se pode fazer tudo. É que o não, dito de forma firme e coerente, molda gradualmente uma personalidade sã e equilibrada, condição necessária para a entrada no mundo adulto e os obstáculos e dificuldades inerentes ao mesmo.  A questão que se coloca é: terão os pais conseguido desde o início, impôr o “não” no momento certo e criar os limites necessários de forma consistente  e contínua?

Estes pais olham para o psicólogo como aquele que vai  fornecer uma fórmula mágica, capaz de fazer desaparecer estes comportamentos de forma rápida e definitiva. A magia submete-se a todo um processo complexo, longo, em que todos participam e onde mudanças de comportamento são exigidas de ambas as partes. Para que uma criança comece a mudar um padrão de conduta, ela precisa de perceber que o adulto, modelo de referência, é capaz de fazer o mesmo.

Bibliografia: 

Marques, T. (2011). Clínica da infância: conselhos práticos de psicologia infantil. Oficina do Livro

Vinton, E. (1993). Como estabelecer limites: definindo limites de comportamento para os seus filhos – da infância à adolescência. M. Books

Maia, L. (2012). E tudo começa no berço! – Um guia para a educação e respeito social. Pactor

Urra, J. (2007). O pequeno ditador: da criança mimada ao adolescente agressivo. A esfera dos livros